{"id":2747,"date":"2014-07-01T18:49:24","date_gmt":"2014-07-01T17:49:24","guid":{"rendered":"http:\/\/luciaguanaes.com\/pt\/?page_id=2747"},"modified":"2014-08-16T15:09:32","modified_gmt":"2014-08-16T14:09:32","slug":"texte","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/luciaguanaes.com\/pt\/ensaios\/no-coracao-da-bahia\/texte\/","title":{"rendered":"texte"},"content":{"rendered":"<p>Entre 1996 e 1999, morei por tr\u00eas anos de forma intermitente no Pelourinho, no centro hist\u00f3rico de Salvador da Bahia, com o objetivo de produzir um projeto visual sobre o cotidiano do bairro.<\/p>\n<p>O Pelourinho \u00e9 considerado um dos mais importantes conjuntos arquitet\u00f4nicos coloniais da Am\u00e9rica Latina, tendo sido declarado \u201cpatrim\u00f4nio da humanidade\u201d pela UNESCO em 1985. Apesar disso, o antigo centro residencial das oligarquias baianas sofreu ao longo dos anos um longo e inexor\u00e1vel decl\u00ednio. Bairro \u201cpopular\u201d na d\u00e9cada de 50, ele se transforma na d\u00e9cada de 70 em uma regi\u00e3o considerada \u201cperigosa\u201d, habitada por uma popula\u00e7\u00e3o pobre e marginalizada. Os sobrados de tr\u00eas ou quatro andares s\u00e3o progressivamente subdivididos, abrigando um n\u00famero crescente de fam\u00edlias, cada c\u00f4modo sendo geralmente ocupado por uma fam\u00edlia de quatro a cinco pessoas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a partir da d\u00e9cada de 80 o Pelourinho se torna um centro simb\u00f3lico da cultura afro-brasileira, uma verdadeira \u00e1gora onde a juventude negra baiana pode enfim expressar-se e fazer escutar sua voz, assim como o Grupo Olodum, que nasceu no bairro e que re\u00fane todas as semanas centenas de percussionistas e milhares de jovens em seus concertos no Largo do Pelourinho.<\/p>\n<p>No entanto, nem tudo \u00e9 festa no Pel\u00f4. Em 1992, o Estado da Bahia inicia uma opera\u00e7\u00e3o radical para a reabilita\u00e7\u00e3o da \u00e1rea afim de transform\u00e1-la em um importante polo tur\u00edstico. A opera\u00e7\u00e3o implica a expuls\u00e3o dos moradores e a requisi\u00e7\u00e3o das casas. Uma vez restauradas, as casas requisitadas se tornar\u00e3o restaurantes, galerias de artesanato, ou lojas de roupas e souvenires.<\/p>\n<p>Quando cheguei no bairro em janeiro de 1996, as obras de reabilita\u00e7\u00e3o se encontravam na metade do percurso (quatro etapas realizadas em dez planejadas) e a situa\u00e7\u00e3o era bastante complexa. Meu objetivo n\u00e3o era fazer um document\u00e1rio sobre tais transforma\u00e7\u00f5es, mas sim escrever, por meio de imagens, uma cr\u00f4nica sobre a vida cotidiana de um bairro popular brasileiro. Fui ent\u00e3o viver na \u00e1rea por um longo per\u00edodo de tempo, para ir ao encontro dos moradores e ver o que mudava e o que se repetia periodicamente ao longo dos dias, semanas ou esta\u00e7\u00f5es do ano. Defini previamente um per\u00edmetro geogr\u00e1fico relativamente pequeno e, dentro deste territ\u00f3rio, documentei livremente todas as pistas que iam surgindo: festas religiosas e profanas, trabalho, com\u00e9rcio, bares, brincadeiras de crian\u00e7as, fachadas e interiores das casas, quintais, casas em ru\u00ednas, obras de restaura\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>O resultado desta experi\u00eancia foi reunido no CD-ROM <em>Au c\u0153ur de Bahia<\/em> (<em>No cora\u00e7\u00e3o da Bahia<\/em>), que ganhou o Grand Prix M\u00f6bius Am\u00e9rica Latina em 1999 e o Pr\u00eamio Especial do J\u00fari no Prix M\u00f6bius International em 2000.<\/p>\n<h6>\u2028Lucia Guanaes<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 1996 e 1999, morei por tr\u00eas anos de forma intermitente no Pelourinho, no centro hist\u00f3rico de Salvador da Bahia, com o objetivo de produzir um projeto visual sobre o cotidiano do bairro. 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